terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Há dias assim...




Dia 20 de Fevereiro de 2008

13:25 dá o toque de saída, os miúdos correm pelos corredores para não faltarem á aula seguinte. Para mim, o dia de aulas terminará mas a tarde seria de estudo intenso, não fosse o dia seguinte dia de teste de matemática. Ao sair do bloco uma suave ventania do quadrante leste desperta-me os sentidos e faz-me por em duvida a tarde de estudo: “Tenho de estudar, não posso ir para a pesca outra vez, além disso quase não há ondulação”. Chego a casa, almoço e vou dar uma vista de olhos ao material de pesca (como qualquer pescador faz quando sente necessidade de pescar), vejo as amostras uma a uma, a qualidade das fateixas, a tinta arrancada pelas fortes pancadas na pedra. “Estou sem amostras” – Penso para os meus botões. Entretanto pego no telemóvel e telefono ao Pedro (Batata): “Oi, pesca hoje como é que é? – pergunto eu. “O toino vais nos levar á pedra dele, bora puto.” - Responde o batata. Era a oportunidade de conhecer o local de que tanto fala, a matemática podia esperar porque os níveis de adrenalina estão elevadíssimos. Arrancamos os 3, eu, Bruno e Batata enquanto o toino nos esperava. Chegados ao local combinado, arrancamos para o pesqueiro. Era de facto um local com umas condições excelentes mas como previa, a ondulação quase não existia.
Decidimos descer, por entre algumas tropeçadas chegamos lá abaixo. O Pedro e o Bruno seguiram de imediato para uns cabeços do lado esquerdo a uns 200m de distancia. Eu sentei-me a ver o toino a pescar, afinal, era a pedra dele. Na pouca ondulação consigo ver alguns robalos um pouco mais á esquerda do toino, faço-lhe sinal para que lance ali. Águas muito abertas pensei eu, não vão pegar. Começo a montar o material e escolho uma amostra nova para começar – maria angel kiss sardine – depois de uns 10 lançamentos sobre eles conclui que por vezes gostam de brincar connosco. “Vou ali aquele canal, tem bom aspecto e uma espuminha” – Disse eu. “Vai lá vai lá” – Respondeu-me o Toino. E assim fiz, mas como tinha muitos cabeços de fora, mudei a minha amostra – Sea Bass Hunter 11Cm – Ao terceiro lançamento quase que a seco prende na pedra e para minha surpresa, a pedra começa-me a levar fio. Começou a acção: carreto a cantar em altas frequências, a linha a seguir viagem mesmo depois de ajustar a embreagem, nada parecia querer parar aquela pedra até que estabiliza. Material levado aos limites, estava na hora de o puxar, veio até aos pés sem problemas até que decide voltar para o meio a que pertence e o episódio repete-se: o carreto canta embora com menos intensidade. Nesta troca de identidades – Eu vs Pedra – o Toino grita para mim. “é grande?” “É enorme” respondo eu. Corre na minha direcção e chega ao pé de mim já de puxeiro na mão. Troce-o até aos pés e o toino com alguma dificuldade lá o conseguiu tirar. Eu estava exausto mas o meu amigo não mexia, parecia pedra. Fiquei pasmado com o seu tamanho, nunca pensei vir a tirar um Robalo com aquelas dimensões. Grito para o Pedro e o Bruno (que não se tinham apercebido) e levanto o peixe. Não demoraram mais de dois minutos a chegar (risos). Depois dos comentários foram tentar a sua sorte. Eu fiquei sentado á espera que os tremeliques desaparecessem e a tentar desferrar a minha amostra. Uma amostra tão pequena na boca de um peixe tão grande. Consegui tira-la mas o robalo tratou de lhe partir o babete e entortar as fateixas.
Entretanto o Pedro ferra um robalo com um quilo. Eu sigo mais para sul e encontro uns bons cabeços, embora fosse muito fácil lá deixas amostras. O Toino emprestou-me uma Strike Pro e ferrei outro. A cana vergou igualmente mas a força era diferente. Muito bem, este vinha pela barriga e não tinha mais de 2 Kg. Para terminar o dia e com o sol a findar o “Homem da casa” ferra um robalo também com 1 Kg.
Seguia-se a parte dolorosa: subir a escosta com 8 Kg de peixe, mas devagar e com algumas pausas lá se fez. O Toino seguiu e para casa e nos os 3 também. Claro que a viagem foi atribulada: “Ganda peixe puto”, “Bateste o meu recorde de certeza” . . . ia tudo ansioso para a pesagem... Até que chegamos a casa do Bruno, pomos o peixe na balança e esta marca 3 Kg e pouco. “Não pode ser” - dizemos nós, “Impossível”. Hum vamos pesar isto a uma balança eléctrica. Peso da caixa descontado, estava na hora da verdade: os números começam a subir e param quando marca 6.355Kg. Os sorrisos trocados e os segundos seguintes em silêncio dizem tudo.
Terminará assim o dia que seria de estudo, não bati o meu recorde na nota de matemática mas acabei o dia mais feliz do que se tivesse entrado em Medicina.

Deixamos abaixo o registo fotográfico do resto da pescaria.

Um abraço para o Batata e para o Bruno que me têm acompanhado nestes grandes momentos.

Luís Tiago Barros





















5 comentários:

Wireless disse...

Parabéns pela captura!

A descrição da aventura está igualmente espatacular!

Um abraço para os campeões dos Robalos.

Ivo Abreu.

Ricardo Leonardo disse...

Felicitações pela excelente captura!!

A descrição é excelente.. desde o momento em que se olha o material encostado, passando pelo telefonema, (aí não há retrocesso), a captura e o depois, quando a adrenalina é substituída por um sorriso de orelha a orelha por vários dias...

Bons Robalos!!
Ricardo Leonardo

Paulo Machado disse...

Parabéns pelo vosso blog e pela vossa amizade.
Espero que tenham muito sucesso e partilhem as vossa peripécias de pesca com todos nós.
Boas pescarias para todos.

Sargus disse...

Boas,
quero-vos desejar tudo de bom para este vosso projecto.
Quero de igual forma felicitá-los pelas capturas.

Grande abraço.

Fernando Encarnação

Pedro Russo Baião disse...

Parabéns pelo vosso blog, está excelente!

E que belas pescas que vocês têm feito! Muitos parabéns, e que venham mais bichos desses!

Cumprimentos!